13 Dezembro, 2009

Hoje é dia de dar.......

O PITO!!!!!!!

Hoje, pelas terras recônditas, onde apenas mandam os que cá estão, todas as moças casadoiras têm de dar o pito aos rapazes, casadoiros ou não....


Aqui vai a história do pito, roubada aqui:

Ao contrário da maioria da doçaria regional que teve berço "conventual" os pitos, que a tradição manda comer no dia de Santa Luzia, tiveram criadora de origem rural e humilde, na aldeia de Vila Nova, em Vila Real, embora de "fábrica" igual à daqueles.

Foi uma moçoila dali que os "inventou" quando foi servir para o Convento de Santa Clara, onde tomaria o hábito depois dum noviciado entre a cozinha e o apoio aos pobres e doentes a que a Ordem, na sua misericórdia e caridade infinitas, dava guarida de hospital.

Maria Ermelinda Correia, de seu nome de baptismo, depois irmã Imaculada de Jesus, era deveras gulosa. Foi este defeito que levou a família a pedir a graça da clausura na esperança de lho transformar em virtude.

Conhecendo-lhe o "pecado", a penitente abstinência que lhe impuseram foi por isso mais forte, e por tal mais redentora, o que lhe agravava o mal e aumentava o padecimento. Na resignação e força da fé lá resistiu às investidas dum estômago ávido de coisas boas e doces. Não tinha acesso às muitas iguarias que se faziam no Convento, pois eram feitas mais para fora e para as mesas de festa das irmãs regulares.

E se no intervalo dum silêncio de "regra" conventual falava de doces, a resposta de advertência era sempre a mesma: "nem vê-los", dizia-lhe a madre superiora.
Na sua inocência, e começando a percorrer os caminhos da Fé e da Doutrina para o noviciado, tornou-se devota acérrima de Santa Luzia, orago dos cegos e padroeira das coisas da vista.
Não se sabe hoje ao certo o tempo e a razão desta arreigada crença. Os documentos consultados não o registam com evidente certeza. Tanto pode ter sido porque a madre superiora via muito mal, capacidade agravada na escuridão da clausura conventual, ou pelo agradecimento da ideia que lhe ocorreu para conseguir satisfazer, nos amargores do pecado, a doçura dos momentos escondidos.

Foi assim que os pitos de Santa Luzia lhe foram consagrados, e como tal testemunha a festa que ainda nos dias de hoje, a 13 de Dezembro, na capela de Vila Nova às portas da cidade, mantém a tradição.
E como apareceram os pitos?

A ainda Ermelinda, aspirante a irmã Imaculada de Jesus, tendo ouvido a história do Milagre das Rosas, ao orar a Santa Luzia teve uma visão que lhe aplacou a alma num milagre de doces esperanças.

Naquela manhã fizera o curativo a uns quantos enfermos. Na maior parte dos casos foram feridas, contusões e inchaços nos olhos. O remédio daquele tempo eram os "pachos de papas de linhaça".

Eram uns quadrados de pano cru onde se colocava a papa, dobrados de pontas para o centro para não verter a poção. A pequena "almofada" era depois colocada, como um penso, no ferimento.

Foi a sua redenção. Correu à cozinha e fez uma massa de farinha, pois a pouco mais tinha acesso, e cortou-a em pequenos quadrados. Não tinha doce mas, tendo guardado religiosamente o cibo de açúcar que lhe cabia em ração, fez uma compota de calondro (abóbora). O tacho ao lume poucas suspeitas levantava. As cascas e sobras só lembravam o pouco uso que tinha no caldo e o muito na engorda do gado. E a massa escurecida pelo ponto do açúcar não mais do que a linhaça da mézinha, que se quer cozida.

Dobrou a massa por cima da compota, à imagem dos "pachos", e cozeu-os no forno sempre quente a qualquer hora do dia. Despachou-se em seguida a escondê-los debaixo do catre da sua cela.

No caminho cruzou-se com a Madre Superiora. No meio da escuridão a abadessa pergunta-lhe o que leva no tabuleiro. A velha senhora ainda empina o nariz para ver se o adivinha pelo cheiro. Diz-se que na falta de um ou outro sentido os restantes se apuram, mas nesta apenas o ouvido era de tísica.

A resposta, depois de um primeiro engasgar, soltou-se logo. Era tudo em nome das duas santas, a da "receita" e a das rosas, imitadas nesta aspiração de ser igual quando se professa e toma hábito e voto:
"São pachos de linhaça Irmã Madre... para os meus doentinhos que amanhã virão".

Dali para a frente, e já Irmã Imaculada de Jesus, fez sempre que podia, houvesse ou não olho tumefacto, gretado, remeloso ou negro de um qualquer sopapo de briga de feira, os "pachos" de abóbora.

Não eram muito agradáveis à vista mas, ao menos, satisfaziam-lhe a gula e calavam na profundeza da alma o pecado que não sentia porque, comendo-os na escuridão da cela e da noite, sabia, porque o tinha ouvido dizer, que "do que não se vê não se peca".

Da evolução dos pachos de abóbora para os pitos que no dia de Santa Luzia se celebram, não rezam as crónicas consultadas, e outras não há que o confirmem ou desmintam.

Vá lá a gente saber o porquê de uma história que, tendo origem tão santa, se vê, talvez na lucobricidade dos Homens, transformada num ritual de trocas e promessas. O pito é dado a quem, de outro santo e outro doce - as ganchas de S. Brás - a deram antes para receber aquele agora.

Pronto, cá fica.... E cuidado com aqueles malucos que também gostam de dar o ... pito.
Valha-me.....

26 Novembro, 2009

De volta à rotina

Entre a saudade dos dias que passaram, a relativa angústia pelos resultados dos exames que ainda falta conhecer, e a espera calma pela operação que há-de chegar em Janeiro, voltei à rotina demolidora do dia-à-dia.

A vida não se faz olhando para trás, mas em momentos mais tensos alivia e reconforta recordar paisagens do amanhcer.

Sobretudo quando esse amanhecer era nos teus braços...

mais informações aqui :)

08 Novembro, 2009

Ainda por ca ando...

Ainda ando por cá.... escondido, mas ando.
Como estamos em tempo de crise, mais vale poupar nas palavras e mostrar.

1 - Trabalho e mais trabalho

2 - Lisboa (sextas e sábados)
3 - Toca a esburacar (Domingo a quinta)
4 - De volta a Lisboa (mais aulinhas)

5 - Comidinha (só desta)
6 - Tudo isto conduz ao ...
Fora tudo o resto que ainda dá dores de cabeça...

Não há nada que não se resolva. Com sorte, vem aí uma semana de férias...

A DOIS

14 Maio, 2009

AFUNDADO...

Afundado em Trabalho.


Consumido....Um dia destes.......

24 Abril, 2009

Onde estava você??!?!!?

Sim!!!
Vá!!!
Confessem!!!!
Onde estavam vocês, seus facistas e fascisantes, no 25 de Abril de 1974???

Pois eu digo-vos onde estava.
Estava aqui

Na casinha assinalada por um circulo na foto abaixo, qua ainda lá está hoje.E esta era a paisagem que se abria à minha frente, sempre que descia para ir para a escola.

Do 25?? lembro-me de pouca coisa.
O meu pai agarrado ao rádio a ouvir a BBC.
A minha mãe com um ar preocupado a perguntar "Junta de Salvação Nacional?!?!? mas isto estava assim tão mau???".

Estava..... ainda está.

22 Abril, 2009

22-04-2009 Resistir e lutar

Amarante, 16:30.

Em frente à Igreja de S. Gonçalo, logo ao lado da ponte símbolo da resistência à II Invasão Francesa.

Quando resistir e lutar era o nosso mote.


Abro o computador para desenhar o relatório do dia.

Saboreio um fino gelado e uma bôla de carne que me sabe pela vida. Resisto a outras tentações.

Aguardo a chegada dele, para um café de fim de tarde. Não resisto.

As conversas flúem no ar, entretenho-me a ouvir distraidamente, enquanto a brisa luta com o calor.


Espero. Ainda tenho uma reunião às 6:30 e outra, sem hora marcada, lá mais para a frente. É preciso lutar.

Ele chega e eu não resisto. Nem a ele, nem nem ao café, nem a outras coisas doces que servem de acompanhamento às primeiras.


Resistir e lutar, também hoje.

Por agora, só o prenúncio do verão.

12 Abril, 2009

Páscoa

Páscoa é Passagem.
Páscoa é época de libertação.Páscoa é um prenuncio de Primavera.
Não é isso que estamos todos a precisar?